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17
Jun
08

Não há mais tic-tacs.

tic-tac-duck TIC. TAc. Tic. tac. ti. t. .

Não há mais tic tacs. Nem grandes nem pequenos. Nem badalos de verdade nos campanários das catedrais.

Há somente a mudança inaudível dos traços digitais da esquerda pra direita, para o centro, para cima, para baixo… e as interminávies piscadelas dos dois pontos entre as horas e os minutos.

Entediados, já que não se bastam, exibem outras coisas que não o triste e cadenciado passar dos minutos. Alguns exibem o frio e o calor, ou ainda as headlines do dia, quando não os âncoras dos telejornais.

Alguns ainda exibem aquela pequena sinetinha perturbadora e prenunciadora do despertar para mais um dia digital. Sem tic tacs.

16
Jun
08

est-ce que c’est souhaitable ça ?

tout ce que j’aime bien dans la vie m’a été viré il y a deux, trois mois… je pense que la vie devrait être plus simple, comme les goélands qui survolent les décharges au sud de Marseille…

putain, comme il me manque les temps d’antain quand on avait pas de tune, on avait la conscience libre, vague, tel que les vagues de l’océan pacifique près du hawaii… auj, c’est pas gagné… l’âge vient et tout détruit. je suis devenu amer, comme le vin, aigre, pourri.

je crains que le raisonnable n’est plus là… on pose les questions, mais on n’a pas eu des réponses…

les canards de cette ville de merde sont là… ils cotoient le plus beaux endroits, ils sont toujours bein habillés, ils ont leurs bagnoles toutes nouvelles, ils polluent tout, ils ne lâchent rien… ils boient du whisky âgé de 24 ans, ils le paient cher… ils s’en foutent, ils sont des vrais canards… est-ce que c’est souhaitable?

non, rien n’est souhaitable

je commence à m’en fouter aussi… tampis pour moi, tampis pour elle, tampis pour nous, tampis pour eux…

 

15
Jun
08

ADULTÉRIO LITERÁRIO

 

 

 

Em primeira mão venho hoje na condição de réu confesso, independente dos efeitos danosos de meu ato, declarar que sou culpado de atentar contra os bons costumes e a fidelidade. Sofro de um mal que não tem cura e o é assim porque simplesmente isto me dá prazer. Meus atos têm origem de um impulso primário chamado curiosidade; quem sabe algum médico especialista chamado de psiquiatra me tenha por obsessivo ou compulsivo, mas entendo em ultimo grau de recurso que sou um poligâmico literal. Explico-me nestes termos porque considero jamais poder ser um indivíduo fiel! Sim, denuncio minha própria torpeza e digo que vou para cama todas as noites com muitas obras literárias, sofro deste desejo pelo conhecimento fogoso que dá asas a imaginação e assim sendo, Eu, um pândego e adúltero recolho-me com tantos livros quanto posso em uma e mesma noite.

A monogamia literária fora um sistema de prazer individual que nunca me seduziu e do qual lanço mão à separação de corpos desde sempre.

Proponho-me, assim, de pleno direito e de direito de fato, que minha obra atentatória ao perfil do fiel e costumeiro leitor monogâmico seja copiada por todos subversivos amantes da boa! literatura.

 

Viva a orgia literária.       

13
Jun
08

Qual o tamanho do “experimental jazz” na terra do poeta Quintana?

Sem prólogos – a pergunta que parece sem resposta pode ser bem respondida.

Privilegiado pelo meu nome, meus títulos e minhas amantes, recebi o inusitado convite de Guto Marques (cerebral dançarino e tecno-poeta, produtor da rádio FM Cultura Porto Alegre 107.7 Mhz), para uma das poucas apresentações que Peter Brotzmann faria no Brazil.

Deixar de ver Peter Brotzmann na minha propria cidade seria impensável. E mais, era “for free”, mas com distribuição de senhas a partir das 19hs.

Como de costume, cheguei no Goethe Institut pontualmente adiantado. Escolhi um lugar de onde pudesse fitar os estudantes cenobitas degladiando-se pelas 120 senhas que seriam distribuidas.

Bateu 19h15 e as senhas se acabaram. Houve quem gritou “Resistência!” ou “- Quero falar com a Herta Steinberg Froetzvelsman!”. Alguns estudantes se reuniram na parte exterior ao prédio e passaram em coro os refrões finais do hino da Alemanha.

A cena se desenhava tão comovente que a diretora do Instituto resolveu liberar espaços nos corredores, com a condição de que em pé, os estudantes não bloqueassem as saidas de emergência.

Para quem não conhece Peter Brotzmann, basta saber que sua música é conhecida como “terror sônico”. Puro experimentalismo atonal. Éramos coibaios estrangeiros aqueles olhos bavaros.

No final da primeira musica (duração aproximada 30 minutos), sobravam apenas 67 pessoas. Levando em consideração que algumas ficaram constrangidas em sair, acredito que o publico de corpo presente se resumia a 17 pessoas normais e 5 mulheres.

Com esta medida chegamos a conclusão (sem a necessidade da pesquisa) que o publico alvo para o jazz experimental em Porto Alegre é de 22 pessoas, sendo que a grande maioria são homens velhos, que usam óculos aro tartaruga e parecem sexualmente perturbados (como quem vos escreve).

Se isso servir para alguem, faça-me saber.

Beijo do gordo.

13
Jun
08

Tempo do Escarro

Destino traçado
por tempo marcado.

Encontros dobrados…
Tornam-se escarro
no rosto sulcado
de rugas suspensas,
em almas descrentes
ausentes à mudança.
Sobra o escarro e o peso do tempo ser.
Em destinos traçados
por lembranças vazias
e tendências doentias.

Destino firmado no tempo do escarro.

Maomé II

13
Jun
08

Higienista Cultural – Dr. Rabeletti

Boa noite leitores. Chamo-me Dr. Nasser Rabeletti. Sou padrinho de crisma de um dos jovens fundadores deste periódico. Fui convidado para desenvolver uma coluna acerca da moralidade e da estética artística caxiense. Sou professor universitário no curso “Sobre a Teoria das Higienes – Sabão, Freud e Eucaristia”, conselheiro da SENOIDAL – Sociedade Nova Itália da América Latina (cisão da antiga SECANTE – Sociedade Católica Nova Trento), e também tio de Breno, Ariele e Airton.
Sou um LENTE da cultura local; estive envolvido secretamente na campanha que recentemente projetou Caxias do Sul  de “Bestia della Montanha” à “Capitalle della Cultura”.
Conheço praticamente todos os artistas caxienses. Mantenho um BOOK ilustrado onde ao lado do retrato pictografado de cada um, lê-se um completo resumeé, indicando características físicas, o nível mental e também uma síntese de suas habilidades ou debilidades artísticas. Chamo-o “Livro das Criaturas”.
Circulo tranqüilamente do clássico ao moderno. Fui co-autor do POCKET “Dicionário de Frases Vêneto – Português”, tirando do ostracismo toda uma geração de imigrantes, ao mesmo tempo que empresario três bandas de heavy metal melódico e uma banda de metal gótico, um dos mais elevados gêneros musicais moderno. O curso de mecatrônica prepara para o mercado local, todos os anos, 60 ou 70 metaleiros prontos para dar seqüência à Schola Cantorum.
Nesta coluna permanente apresentarei e desenvolverei minhas 7 Teses Culturais, com as quais pretendo transformar Caxias do Sul em um pólo mundial de cultura, destituindo Londres, Nova Iorque, Paris, cumuladoras da arte degenerada. Minha primeira tese, defendida na próxima edição será “Músico Caxiense – Um Primata Maduro?”.
Óbvio que precisarei custear meus projetos, ao que convido os colegas interessados em me apoiar a depositar qualquer quantia de dois dígitos em um envelope lacrado que pode ser entregue diretamente a minha terceira esposa, também professora.

Msc. Dr. RABELETTI, I.P.O. Nasser

13
Jun
08

Nem todo búlgaro é pirófago

Não é verdade que todo búlgaro engole fogo. Quem anda alardeando isso queimou a língua. A lenda de que os búlgaros se alimentam de chamas é alimentada por aqueles a quem chamamos loroteiros. Trololó. A arte da pirofagia é praticada por praticamente todos os búlgaros, mas na verdade não existe. É conversa pra búlgaro dormir. De fato, apesar de 90% dos búlgaros acreditarem que ela existe, ninguém nunca o provou. E se provou não gostou. Dados inventados recente(mente) mostram que nunca foi visto um búlgaro pirófago. Aliás, você já viu algum búlgaro?

(ass)assinado: o búlgaro pirófago

13
Jun
08

Anarco FraNcista

Iniciação. Anarco francisa, desconstrução moral, degradação djavanista. Mottista, por que não. Desbravando a floresta existente, no torto Vão da nossa existência incólume, da moral absurda. O tosco lançando a seta da nossa desconstrução de um muro já acabado.
Fazemos parte do desconhecimento inócuo, daquilo tudo que tende a ser desdescoberto do nosso interior.
Paralelismo simbólico do próprio sentido do olhar pretérito,seja ele perfeito ou insensível.
Não conheço de mim o inteiro, sequer a metade ou o terço. Talvez um pedaço sincero de tudo o que for menos sincero.Quero e retruco.

Il Bidone

13
Jun
08

oPTei ser PaTo I

Rocha Dura não deixa ninguém pensar. Basta pensar que se pensa; e, como a aparência é superior à realidade, não há dúvida que tudo haverá de acontecer. Notem, não existem mais pobres nas ruas, nem favelas, nem gente em baixo das pontes e nem inflação. Ô meu, não vai pensar que tudo isto um dia foi verdade!
*
Dê-se de comer ao povo; e assim foi feito. Dê-se escolas ao povo; e assim foi feito. Dê-se creches, vale frango e vale gás; e assim foi feito. Êta povinho mais safado esse! Não é que eles aceitaram?
*
Como dizia um amigo relembrando sua primeira noite com uma mulher que passou metade de sua puta vida sobre um móvel denominado cama: sexo é foda!

Ornélio Frazão Pato de Lima

13
Jun
08

Qu’est-ce qu’un canard?

qu’est-ce qu’un canard?
je n’aime pas écrire comme ça, les mots s’envolant dans le ciel blanc du papier, mas je crois que c’est aussi d’un goût vraiment mauvais et dégueulasse prendre les paroles des autres.
un canard c’est, d’abord, une façon de lutter contre le système, c’est une de ces merveilles de la nature dont on rêve – et qu’on mange aussi – un canard, c’est une manière de se battre contre la pierre fondre où cette ville s’est contruite avec le sueur des gens simples. un canard…
un canard, ça peut être une histoire maladroite, honêttement malhonnête, racontée par les peuples aveugles du nord de la Bulgare ou de la Transylvanie. un canard…
un canard est une parution attendue, une situation oubliable, un mensonge mensongère et cadavère. un canard…
il n’y a qu’à remercier et qu’à fêter le canard.

M. LeMarteau