Sem prólogos – a pergunta que parece sem resposta pode ser bem respondida.
Privilegiado pelo meu nome, meus títulos e minhas amantes, recebi o inusitado convite de Guto Marques (cerebral dançarino e tecno-poeta, produtor da rádio FM Cultura Porto Alegre 107.7 Mhz), para uma das poucas apresentações que Peter Brotzmann faria no Brazil.
Deixar de ver Peter Brotzmann na minha propria cidade seria impensável. E mais, era “for free”, mas com distribuição de senhas a partir das 19hs.
Como de costume, cheguei no Goethe Institut pontualmente adiantado. Escolhi um lugar de onde pudesse fitar os estudantes cenobitas degladiando-se pelas 120 senhas que seriam distribuidas.
Bateu 19h15 e as senhas se acabaram. Houve quem gritou “Resistência!” ou “- Quero falar com a Herta Steinberg Froetzvelsman!”. Alguns estudantes se reuniram na parte exterior ao prédio e passaram em coro os refrões finais do hino da Alemanha.
A cena se desenhava tão comovente que a diretora do Instituto resolveu liberar espaços nos corredores, com a condição de que em pé, os estudantes não bloqueassem as saidas de emergência.
Para quem não conhece Peter Brotzmann, basta saber que sua música é conhecida como “terror sônico”. Puro experimentalismo atonal. Éramos coibaios estrangeiros aqueles olhos bavaros.
No final da primeira musica (duração aproximada 30 minutos), sobravam apenas 67 pessoas. Levando em consideração que algumas ficaram constrangidas em sair, acredito que o publico de corpo presente se resumia a 17 pessoas normais e 5 mulheres.
Com esta medida chegamos a conclusão (sem a necessidade da pesquisa) que o publico alvo para o jazz experimental em Porto Alegre é de 22 pessoas, sendo que a grande maioria são homens velhos, que usam óculos aro tartaruga e parecem sexualmente perturbados (como quem vos escreve).
Se isso servir para alguem, faça-me saber.
Beijo do gordo.