O inverno chega sempre saboroso. Vinho, chocolate e outras delícias.

O ar pesado da umidade, a dor lancinante da fina gota de chuva tocando a pele seca, gota essa que logo congela na face, fazendo parecer que está prestes a se quebrar tão logo algum músculo estique alguma parte do rosto.
A baforada de cigarro, que se mistura à neblina embaçadora da visão do que há por vir, é secretar vapor de endorfinas que acariciam a alma e relaxam o espírito das tensões destes dias encarangados, de roupas pesadas e pessoas apressadas, sem tempo, insensíveis quanto ao que é ser livre…
Um gole ou outro de vinho ou mesmo um destilado de boa qualidade traz leveza à consciência, e envia os pesares dos compromissos para um arquivo morto mental, de onde só haverão de sair assim que a mola da ressaca arremessá-los com toda a força de volta à realidade ao tocar do despertador.
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