
Conveniência, sim!… fora esta a primeira palavra que ele usou naquela noite. Discutíamos a respeito da dúvida, eu e meu mais novo amigo, o diabo em pessoa, ou, simplesmente diabo. Sentíamos a noite ainda por começar, o café estava fresco e cada vez mais tinha a impressão que algo estava para acontecer. Foi quando vimos entrar aquela moça. Pela porta da frente ela passou… Seu olhar contagioso e suas formas delgadas descreviam o próprio atrevimento a bailar em uma dança espúria. Sentimos dúvida, a dúvida sobre nossos próprios sentimentos. Será possível, dizia o demônio – quero dizer o diabo – que esta lisonja e pretérita malfeitora poderia dar luz ao amor. Há!…não me venha falar de amor meu caro, e muito menos de dar a luz, seja lá ao que for. De repente, naquele mesmo instante ocorreu-me uma nova dúvida: poderia um homem pequeno com esta mulher de grande porte dar continuidade à espécie humana? Oras, disse o diabo, pense bem! : “do biótipo donde temos uma grande mulher, de pernas longas, e de outro, um homem de resumidos membros, rebentos não hão de sair”. E assim, intrigado, perguntei “por que?” . Naquele mesmo instante ( … XXX ) escutamos um barulho, qual mais parecia um porco rosnando no barro… Um senhor de lábios finos e bochechas rubras subitamente (súbita mente!) nos interrompeu dizendo: isto porque ou o poço é muito fundo ou a corda é muito curta!!!
Rimos até não poder…
No mais, disse eu a ambos (homem e diabo), afora a arte da luz, que sabem os demônios (demônio) sobre o amor? Diabo! Disse ele – e sorrindo de modo debochado falou em tom travejado de amargo: Tolice meu caro “Desde quando os homens amam!”, seus sentimentos são nada mais do que um anteparo para necessidades fisiológicas, fazendo dos amasios tão-somente um espelho de suas vaidades ímpias. Não passa de um exercício narcisista o tal amar…e, veja bem…! há tanta necessidade de amor neste mundo que os homens são capazes de amar suas próprias esposas e as mulheres seus próprios maridos, já dizia assim o escritor que ninguém jamais leu.
Oras, endiabrado diabo!… chego assim a conclusão de que a dúvida é fêmea e de ilusão Quixotesca, suas formas são de moça austuriana, larga de cara, de cangote curto, nariz rombo, torta de um olho e do outro pouco sã; não tendo mais do que sete palmos dos pés a cabeça e nos ombros o peso que sempre carrega nos faz olhar mais para o chão do que para o céu.
Realmente!… encerrou o diabo com olhar fixo ao chão.